Caravana Iaraçu abre oficialmente programação na  COP 30, na orla da UFPA

Símbolo da cooperação entre Brasil e França, a Caravana científico-cultural Iaraçu, abriu oficialmente sua programação na COP 30, nesta segunda-feira (10), em Belém, no Campus Guamá, da Universidade Federal do Pará (UFPA). O projeto reúne cientistas, universidades e instituições que compartilham o objetivo de aproximar o conhecimento acadêmico das comunidades amazônicas e ouvir as vozes que vivem, diariamente, os efeitos das mudanças climáticas. 

A embarcação saiu do estado de Manaus, percorrendo o rio Amazonas, no último dia 28 de outubro e aportou na orla da UFPA, em 05 de novembro, quando recebeu a visita do presidente da França, Emmanuel Macron.   

Entre os nomes que se destacam na travessia está o da antropóloga Nadège Mézié, formada pela Université Paris Descartes, pesquisadora dedicada às relações entre ciência e território. Durante a abertura oficial, Nadège falou sobre os resultados que espera ver florescer a partir dessa iniciativa, “Tem vários resultados esperados e vários impactos. Tem a questão de levar conhecimentos científicos de alto nível, de várias universidades e organismos de pesquisa, tanto do Brasil quanto da França, para as comunidades. Ter esse diálogo é importante, sobretudo nesse momento de negacionismo climático, de negacionismo da ciência, de desinformação. Mostrar o quanto os cientistas sabem se aproximar das populações, sabem dialogar e ajudar nisso, é um resultado super importante.” 

As palavras de Nadège traduzem o espírito da Caravana Iaraçu, uma jornada de mão dupla, onde o saber acadêmico desce o rio e o saber tradicional sobe até os espaços de decisão global. 

Em seu trajeto a embarcação realizou paradas em cidades ribeirinhas, promovendo oficinas, medições ambientais e rodas de conversa. Cada encontro foi uma oportunidade de escuta, de aprendizado e de registro da realidade amazônica que, por muito tempo, foi deixada à margem das discussões internacionais. 

Brigitte Thierion,  professora de literatura brasileira da Sorbonne Nouvelle, elogiou a proposta do projeto Iaraçu. “Destacar esse projeto é falar de um projeto maravilhoso. Eu vim de muito longe também, na última hora, pensei em recusar por causa da distância, mas quando eu subi nesse barco, quando eu encontrei todos esses cientistas, todas essas pessoas empolgadas, fiquei encantada”, revela. “Eu viajei de Manaus até Santarém no barco Iaraçu, junto com todos os cientistas, e foi uma viagem de trocas maravilhosas”, conclui a docente.  

Já o pesquisador Jean Michel Martinez destacou a importância do Instituto de Pesquisa para o desenvolvimento (IRD), essencial nas relações científico-culturais franco-brasileiras. “Trata-se de um centro francês de pesquisa com mais de 50 anos de atuação no Brasil, que tem mantido uma presença marcante na Amazônia, especialmente nos estudos sobre os rios da região”, explica. 

Em entrevista ao Ciência e Vozes da Amazônia na COP 30, o representante do IRD destacou que a cooperação científica e tecnológica com instituições brasileiras é fundamental para compreender o futuro da bacia amazônica. Segundo ele, o instituto trabalha em parceria com universidades como a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), além de manter cooperação técnica com a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Serviço Geológico do Brasil (SGB). “O objetivo é desenvolver novas tecnologias e métodos de monitoramento que nos permitam compreender melhor o comportamento dos rios e os impactos das mudanças climáticas e da degradação ambiental, como o desmatamento e o garimpo”, afirmou. 

Protocolo  

Nesta segunda-feira (10), pela manhã, o IRD participou da assinatura de um acordo com a agência ANA e o SGB para fortalecer o trabalho conjunto em uma nova área de pesquisa, denominada Hidrologia Espacial. 

“Estamos avançando no uso de dados de satélite para monitorar os rios e desenvolver tecnologias que possam ser aplicadas no Brasil. Isso vai ampliar o conhecimento sobre o ciclo das águas e contribuir para uma gestão mais sustentável dos recursos hídricos da Amazônia”, destacou Jean Michel Martinez.