Nova edição de “Ciência e Vozes da Amazônia” destaca protagonismo da região no debate climático 

A Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, recebe neste sábado (20) o lançamento do número 10 da publicação Ciência e Vozes da Amazônia, durante o Seminário Saberes e Conservação de Territórios Indígenas. O evento ocorre em um momento em que os debates sobre mudanças climáticas seguem em destaque após a realização da COP 30, que marcou a região amazônica no cenário global.

A nova edição reúne 11 artigos que abordam diferentes dimensões da crise climática, com foco na Amazônia como território de ciência, cultura, biodiversidade e protagonismo social. Os textos discutem desde os legados da COP 30 até temas como governança ambiental, justiça climática, biodiversidade, políticas públicas, saúde mental e o papel da juventude amazônica.

“A publicação ‘Ciência e Vozes da Amazônia’ reafirma o compromisso da Universidade Federal do Pará com a produção de conhecimento conectado aos desafios reais da região. Este novo número mostra que a Amazônia não é apenas objeto de estudo, mas sujeito ativo na construção de soluções para a crise climática. Ao reunir ciência, saberes tradicionais e o protagonismo dos povos amazônidas, fortalecemos uma agenda que ganha ainda mais relevância no contexto pós-COP 30, mantendo vivas as reflexões e os compromissos assumidos para o futuro”, enfatiza o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva. 

Entre os destaques, o artigo “A Amazônia na COP 30: marcas e traços do evento mundial na região norte do Brasil”, de Marilene Corrêa da Silva Freitas, apresenta um balanço crítico da conferência realizada em Belém, analisando seus principais debates e os significados construídos a partir da realização do evento em território amazônico.

Outro tema relevante aparece em “Equidade e compromisso ambiental na agenda climática”, de Emmanuel Zagury Tourinho e Leandro Juen. O texto discute os limites da transição energética e defende que a agenda climática precisa integrar justiça social, proteção da sociobiodiversidade e participação efetiva das populações amazônicas.

Já o artigo “As áreas úmidas: ambientes chave para o desenvolvimento sustentável e manutenção da integridade amazônica”, destaca a importância desses ecossistemas, que ocupam cerca de 30% da bacia amazônica e são essenciais para a biodiversidade, os ciclos hidrológicos e a segurança alimentar. A autoria é de Maria Teresa Fernandez Piedade, Aline Lopes, Florian Wittmann, Wolfgang Junk, Michelle Gil Guterres Pazin, Layon Oreste Demarchi, Adriano Quaresma, Flávia Durgante e Jochen Schongart,

A publicação também traz reflexões críticas sobre contradições entre discurso e prática na agenda ambiental, como no artigo “COP 30: a floresta derrubada em nome da sustentabilidade”, além de análises sobre governança hídrica nas cidades amazônicas, políticas de redução de riscos, estratégias climáticas para Belém e os impactos das mudanças climáticas na saúde mental de populações tradicionais.

Outros textos abordam ainda a atuação da juventude amazônica na construção de soluções locais, a integração entre ciência e saberes tradicionais na proteção da biodiversidade, com destaque para experiências em territórios indígenas, e o legado do movimento Ciência e Vozes da Amazônia durante a COP 30.

O conjunto dos artigos reforça uma mensagem central: a Amazônia não deve ser vista apenas como um estoque de carbono, mas como um território vivo, produtor de conhecimento e soluções para a crise climática global. Ao reunir pesquisadores, instituições e povos da floresta, a publicação reafirma o papel estratégico da região nos debates contemporâneos sobre clima, desenvolvimento e justiça socioambiental.

Confira os artigos do número 10 da publicação Ciência e Vozes da Amazônia:

Texto: Ana Teresa Brasil
ASCOM -Ciência e Vozes da Amazônia