
Quando as luzes da COP 30 se apagaram, uma certeza permaneceu: os debates sobre o futuro da Amazônia não poderiam terminar com o encerramento da conferência.
É com esse espírito de continuidade que a Universidade Federal do Pará (UFPA) apresenta o 9º número da publicação Ciência e Vozes da Amazônia. Mais do que registrar reflexões sobre a crise climática, a iniciativa consolida um espaço permanente de diálogo entre ciência, saberes tradicionais e sociedade, fortalecendo a participação dos povos amazônicos na construção de caminhos para a adaptação, a regeneração e a justiça climática.
Fruto de uma ampla rede colaborativa formada por universidades, comunidades, movimentos sociais e instituições parceiras, a publicação reúne análises, experiências e perspectivas que ajudam a compreender os desafios contemporâneos da Amazônia a partir das realidades vividas em seus territórios.
Neste junho de 2026, compartilhamos conhecimentos e propostas sobre temas como sociobiodiversidade, segurança alimentar, saúde ambiental, educação, memória, mudanças climáticas e governança dos territórios amazônicos.



“No novo número da nossa coletânea, permanecemos com o objetivo de conectar diferentes formas de conhecimento, reconhecendo a importância da produção científica e dos saberes construídos historicamente pelos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e demais comunidades tradicionais da região”, acentua o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva.
Artigos – A 9ª edição reúne artigos assinados por pesquisadoras, pesquisadores, lideranças comunitárias e representantes de movimentos sociais, apresentados em linguagem acessível e voltados para diferentes públicos.
Além da UFPA, os artigos foram produzidos por autores de outras universidades do estado, como a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), a Universidade do Estado do Pará (UEPA); assim como de outras regiões do país, a exemplo da Universidade Federal de Mato grosso (UFMT); da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT); e do Laboratório de Micologia Ambiental da Universidade Federal da Bahia (UFBA); além de instituições de pesquisa, como o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e o Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Destaque ainda para universidades de outros países como a Universidade de Birmingham (UoB).
Entre os enfoques da publicação está o artigo “Araguaia: do Vale dos Esquecidos ao protagonismo na formação de cientistas e produção de conhecimento na área ambiental”, que apresenta a trajetória de transformação do Vale do Araguaia em um importante polo de formação acadêmica e produção científica na área ambiental. Outro texto em evidência é “Por um Mato Grosso Sustentável”, que discute os desafios para a construção de modelos produtivos de baixo carbono e o papel das universidades na promoção de alternativas alinhadas à justiça climática.
A relação entre mudanças climáticas e conservação dos ecossistemas amazônicos também ganha espaço na edição. O artigo “Como as mudanças climáticas e os microplásticos afetam a saúde dos igarapés da Amazônia?” apresenta resultados de pesquisas que demonstram impactos sobre comunidades de fungos aquáticos essenciais para a manutenção dos ciclos ecológicos e da qualidade da água.
A publicação traz ainda reflexões sobre os protagonismos sociais na Pan-Amazônia, destacando a atuação de povos indígenas e comunidades tradicionais na defesa dos territórios e dos direitos coletivos. Textos como “Movimentos Sociais e as Instituições Formais: protagonismos e desafios na Pan-Amazônia”, “A sociobiodiversidade dos Marajós numa COP 30 em disputa” e “Amazônia sob disputa: até quando iremos ignorar seus povos?” reforçam a necessidade de reconhecer os conhecimentos ancestrais como elementos centrais para a conservação da floresta e para a construção de políticas públicas mais inclusivas.
As experiências desenvolvidas em Caxiuanã também ganham força. Artigos produzidos por pesquisadores e estudantes brasileiros e estrangeiros discutem temas como soberania alimentar, relações de gênero, saúde comunitária e mudanças climáticas, demonstrando a importância da cooperação científica internacional e do diálogo entre diferentes formas de conhecimento.
Multilíngue – Disponível gratuitamente em português, inglês, francês e espanhol, a coletânea amplia o alcance das discussões para além das fronteiras nacionais, fortalecendo a presença da Amazônia no debate global sobre clima e desenvolvimento sustentável. Além de disponibilizar os conteúdos já publicados, o movimento reafirma sua proposta de ser um espaço permanente de escuta, reflexão e construção coletiva.
Neste momento decisivo para o futuro da Amazônia e do planeta, convidamos pesquisadores, estudantes, lideranças comunitárias, instituições e toda a sociedade a participarem desse diálogo plural, fortalecendo a ciência e os saberes locais como caminhos para a adaptação, a regeneração ambiental e a justiça climática.
A publicação está disponível gratuitamente no site do movimento e pode ser acessada por todos os interessados em conhecer e compartilhar as múltiplas vozes que ajudam a pensar o futuro da Amazônia.

Movimento – O movimento Ciência e Vozes da Amazônia foi iniciado oficialmente em fevereiro de 2025 e teve como marco a realização da COP 30, em Belém, em novembro do mesmo ano. Desde então, consolidou-se como um espaço permanente de articulação entre universidades, comunidades locais, movimentos sociais, instituições de pesquisa e gestores públicos, promovendo reflexões e ações voltadas para a realidade dos territórios amazônicos.
“O Ciência e Vozes da Amazônia é um movimento diverso, plural, inclusivo e solidário. Ele ecoa a produção científica da nossa universidade e, ao mesmo tempo, acolhe as vozes dos povos da floresta, das cidades, das águas, das juventudes e das resistências”, concluiu o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva.
Texto: Ana Teresa Brasil – ASCOM Ciência e Vozes da Amazônia