Participação da UFPA na SBPC 2026 amplia visibilidade da ciência produzida na Amazônia

Após sete dias de programação na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), a participação dos pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) foi marcada pelo diálogo com diferentes públicos, pela apresentação de pesquisas desenvolvidas na região amazônica e pela demonstração de que a ciência produzida no Norte do país tem contribuído para enfrentar desafios ambientais, sociais e tecnológicos em escala nacional.

No estande “Ciência da Amazônia”, instalado na SBPC Jovem, pesquisadores e representantes de redes de pesquisa e programas da UFPA receberam visitantes de todo o país ao longo do evento. No espaço, um público bastante diversificado participou de atividades interativas, conheceu parte da biodiversidade amazônica e dialogou diretamente com cientistas sobre os desafios e as potencialidades da pesquisa realizada na região.

Para a professora Karina Dias, do Campus de Altamira da UFPA, a participação na reunião anual da SBPC representou uma oportunidade de compartilhar a produção científica da universidade e, ao mesmo tempo, aprender com pesquisadores e visitantes de diferentes partes do país.

“Participar da 78ª Reunião Anual da SBPC foi uma oportunidade ímpar de mostrar o que produzimos de ciência na nossa universidade e nas nossas redes de pesquisa, principalmente pela oportunidade de fazer essa troca com os mais diversos públicos que participam do evento”, destacou.

Pesquisadora da área de Ecologia de Comunidades Aquáticas, Karina explicou que seu trabalho investiga os insetos aquáticos como importantes indicadores da saúde dos igarapés amazônicos. Segundo ela, a experiência na SBPC reforçou a importância da divulgação científica para aproximar a produção acadêmica da sociedade. “A ciência não pode e não deve ficar restrita aos muros da universidade. Precisamos traduzir esse conhecimento para a sociedade e promover essa troca de saberes”, afirmou.

Ao fazer um balanço da participação no evento, a pesquisadora destacou que voltou ao Pará com novas perspectivas para fortalecer as ações de comunicação pública da ciência. “O que torna esse evento único é que a gente nunca vai apenas divulgar ciência. Ao longo dos dias ouvi, conversei e aprendi com muitas pessoas. Além do contato com o público, conhecer novas estratégias para aproximar a ciência da sociedade e debater os desafios da pesquisa reforçou a importância de produzir conhecimento comprometido com a soberania, o desenvolvimento e a inclusão”, concluiu.

Já a pesquisadora Bethânia Oliveira de Resende, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPGECO) do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA, também avaliou de forma positiva a participação da equipe amazônica na SBPC. Segundo ela, o estande proporcionou uma intensa troca de experiências entre pesquisadores e visitantes de diferentes idades.

“Foi uma experiência muito proveitosa e muito rica para a gente. Recebemos professores, pesquisadores, estudantes de graduação e também alunos das escolas públicas, desde a educação infantil até o ensino médio. Ao longo desses dias tivemos uma troca de experiências muito grande”, afirmou.

Bethânia ressaltou que o espaço permitiu apresentar ao público como a ciência é produzida na Amazônia por meio de redes de pesquisa como o INCT-SinBiAm, o CISAM e a Rede AMOR, além de aproximar os visitantes da biodiversidade amazônica por meio da exposição de organismos aquáticos utilizados como bioindicadores da qualidade ambiental.

“Conseguimos mostrar como produzimos ciência na Amazônia e apresentar um pouco da nossa biodiversidade. Também contribuímos para a popularização da ciência ao aproximar esse conhecimento do público”, destacou.

Estande Ciência da Amazônia

Ao longo da programação, o estande Ciência da Amazônia reuniu atividades voltadas à divulgação científica, à educação ambiental e à cultura oceânica. Os visitantes conheceram exemplares biológicos, materiais educativos, publicações produzidas por pesquisadores da região e modelos tridimensionais de organismos aquáticos confeccionados por impressão 3D. As atividades evidenciaram a conexão entre os rios amazônicos e o oceano, além da importância da conservação dos ecossistemas e do monitoramento ambiental realizado por diferentes grupos de pesquisa.

Garrafas PET: do lixo à impressão 3D

Outro destaque da participação da UFPA foi a apresentação da tecnologia desenvolvida pelo professor Wellington Fonseca para transformar garrafas PET descartadas em filamentos para impressão 3D. A solução, criada na universidade e incorporada ao projeto PROMARES em parceria com a UFF, demonstrou como a ciência produzida na Amazônia pode gerar impactos ambientais, sociais e econômicos, promovendo reciclagem, inclusão social e economia circular.

​Para o docente, a participação na SBPC simbolizou uma vitrine fundamental para mostrar o potencial científico e a capacidade de inovação produzida no Norte do país. ​”Apresentar essa tecnologia na SBPC foi uma oportunidade de mostrar a força da ciência produzida na Amazônia por amazônidas. Conseguimos provar que a inovação desenvolvida dentro da UFPA não apenas responde aos desafios ecológicos locais, mas também entrega soluções tecnológicas acessíveis e de alto impacto para todo o Brasil. Na impressão 3D, a imaginação é o limite, e usar um resíduo como o já PET para dar vida a novas ideias é unir preservação ambiental e futuro”, destacou o professor.

Conferência

As redes de pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA) estiveram representadas na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), durante a conferência “Ciência em Rede na Amazônia: Integração, Soberania Científica e Desenvolvimento Regional”, realizada no dia 30 de julho, no Auditório Florestan Fernandes, Bloco D, na modalidade presencial.

A conferência foi ministrada pelo professor e pesquisador Leandro Juen, da Universidade Federal do Pará (UFPA), que destacou como a atuação em redes de pesquisa fortalece a produção científica, amplia a cooperação entre instituições e contribui para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. 

Durante a apresentação, o pesquisador ressaltou a importância da integração entre diferentes instituições e grupos de pesquisa para ampliar a capacidade de produção de conhecimento de forma colaborativa, permitindo responder de maneira mais eficiente aos desafios ambientais, sociais e econômicos da região amazônica. Segundo ele, “a atuação em rede fortalece a soberania científica nacional ao promover a produção de conhecimento estratégico voltado às demandas da Amazônia”. 

Ciência da Amazônia e importantes conexões

Durante toda a programação da SBPC 2026, a participação dos pesquisadores amazônicos reforçou o compromisso da universidade e das redes de pesquisa com a produção e a comunicação do conhecimento científico. 

Destaque para a presença da vice-reitora da Universidade Federal do Pará, Loiane Prado Verbicaro, acompanhada de delegação da UFPA, e do reitor da Universidade Federal de Jataí (UFJ), professor Christiano Peres Coelho. 

O estande Ciência da Amazônia também recebeu a visita de Olival Freire Junior, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 

E ainda, de Abdel Siffedine representante do IRD no Brasil (Institut de Recherche pour le Développement ou Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento); de Nadège Mezie, da Expertise France; de Claudia Morosi Czarneski, Coordenadora Geral de Ecossistemas e Biodiversidade (CGEB do MCTI); de Dalila Andrade Oliveira, diretora de Cooperação Institucional, Internacional e Inovação do CNPq; de Priscila Cândido Ubriaco de Oliveira, representante da CAPES e Álvaro Leitão, professor da UFRJ.

Pôsteres

Além das conferências, mesas-redondas e atividades interativas, a SBPC também deu visibilidade à produção científica de estudantes e pesquisadores por meio da sessão de pôsteres, que reúne trabalhos de diferentes áreas do conhecimento. 

A Universidade Federal do Pará teve forte participação nessa programação, com pôsteres apresentados por seus pesquisadores, totalizando 14 de trabalhos. Um dos temas abordados foi a Comunicação Pública da Ciência no Cenário da Infodemia: Análise nas Redes Sociais, de Maria Ataide Malcher, Raiane Pacheco e Sofia Lins Saturnino (Unifesp). Já o trabalho “Sedimentação e Sequestro de Carbono nos Manguezais Paraenses e o Papel das Resex”, foi apresentado pelos autores Andre Helian Silva de Oliveira e Nils Edvin Asp Neto. Enquanto o pôster “Variação Isotópica e Ecologia Trófica do Pargo (Lutjanus Purpureus) Ao Longo de Gradientes Ambientais na Plataforma Continental Amazônica” é de autoria de  Shirley Amélia da Silva Leão, Nils Edvin Asp Neto e outros autores. 

O tema “Caracterização e Proveniência Sedimentar na Interseção dos Manguezais, Estuários e Plataforma Continental do Nordeste Paraense: Abordagem Comparativa entre Rio Mocajuba e Urumajó”, foi destacado por Erivany Ferreira da Costa, Carlos Richene, e  Nils Edvin Asp Neto.

Por sua vez, os “Potenciais Impactos dos Currais de Pesca na Hidrodinâmica e Sedimentologia em Ambientes Estuarinos da Costa Bragantina (Pa)”, foi apresentado por  Ítalo José Corrêa da Silva, Francisco Carlos Alberto Fonteles de Holanda e Nils Edvin Asp Neto. E por fim, os representantes da UFPA apresentaram o trabalho “Progradação Costeira e Desenvolvimento de Manguezais na Costa Amazônica”, de autoria de Ellyda Silva, Ariane Maria Marques da Silva e Nils Edvin Asp Neto.

Ao aproximar pesquisadores e sociedade, a participação no evento consolidou a ciência produzida na Amazônia como protagonista na construção de soluções para os desafios contemporâneos e na formação de uma cultura científica mais acessível e inclusiva.

Texto: Ana Teresa Brasil – ASCOM Ciência e Vozes da Amazônia