Pesquisadores da UFPA participam de debate sobre tecnologia e Saberes Ancestrais na Zona Verde da COP30

Os resultados de um projeto de monitoramento da biodiversidade realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e de outras instituições, juntamente com o povo indígena Panará, foram apresentados nesta segunda-feira, 17 de novembro, no evento “Tecnologia e Saberes Ancestrais”, na Zona Verde da COP 30 (Green Zone). O painel foi realizado pela Conservação Internacional (CI-Brasil), juntamente com o Associação Iakiô, que representa o povo indígena Panará, o Instituto Socioambiental (ISA) e a UFPA, no espaço Belém+10 da Zona Verde. 

Segundo os coordenadores da iniciativa, que reúne estudiosos da UFPA, Instituto Socioambiental (ISA), Associação Iakiô Panará, e conta com financiamento da empresa de tecnologia dos Estados Unidos HP, o acompanhamento, estruturado com base no Sistema de Monitoramento da Biodiversidade do Brasil (PPBio/PELD), é utilizado em diferentes regiões da Amazônia para garantir padronização, comparabilidade e simplicidade operacional.

O diretor do Laboratório de Inovação e Ciências para Conservação da CI-Brasil, Bruno Coutinho, abriu o encontro enfatizando que “o projeto demonstra a escala das oportunidades ao integrar tecnologias, ciência e conhecimento tradicional para fortalecer a proteção da Terra Indígena Panará e do Corredor do Xingu”.

O pesquisador da UFPA, Leandro Juen, apresentou o componente técnico-científico do monitoramento, estruturado com base no Sistema de Monitoramento da Biodiversidade do Brasil (PPBio/PELD). “Realizamos o monitoramento a partir do modelo adotado no PPBio, incluindo padronização, simplicidade metodológica e integração entre a fauna, a flora e os ambientes aquáticos”, pontuou. Segundo ele, isso gera dados comparáveis para subsidiar decisões territoriais do povo Panará. 

O sistema inclui trilhas sistematizadas, pontos fixos de coleta, inventários taxonômicos multigrupo e protocolos simplificados, permitindo que os Panará conduzam o monitoramento de forma contínua e independente.

O professor da UFPA, Luciano Montag, ressaltou os avanços do trabalho conjunto. Segundo ele, “os resultados mostram o potencial do projeto para a formação de jovens pesquisadores Panará, além de abrir novas frentes de pesquisa para a pós-graduação da UFPA”. Ele acentua que a experiência aponta caminhos para modelos colaborativos de gestão territorial.

A iniciativa tem possibilitado trocas técnicas e intercâmbios entre pesquisadores da universidade e integrantes da comunidade, reforçando a perspectiva de gestão compartilhada e de aprendizagem mútua.

Durante o evento, os pesquisadores Panará compartilharam suas percepções sobre o trabalho. Pente Panará destacou a satisfação de integrar a equipe. “Gosto de aprender e gosto de todos os táxons que estamos monitorando”, relatou. Korokoko Panará destacou a experiência de conhecer instrumentos e espécies em laboratórios da UFPA e no Museu. “Está sendo muito interessante. Gostei de ver os bichos coletados no laboratório e no museu, porque lá vimos que os bichos são diferentes dos que temos no nosso território”, frisou. 

Terra indígena Panará – O projeto integra ações de proteção, gestão territorial, pesquisa científica e fortalecimento institucional do conhecimento tradicional, com foco na Terra Indígena Panará, que possui cerca de 500 mil hectares e está situada na região central do Corredor de Diversidade Socioambiental do Xingu, entre os estados do Mato Grosso e Pará.

A Terra Indígena Panará está localizada em uma área estratégica do Xingu, marcada por pressões de desmatamento, grilagem e mineração ilegal, além de impactos associados à BR-163. Embora a região esteja entre as mais bem preservadas do Corredor do Xingu, ainda existem lacunas de conhecimento sobre sua biodiversidade e sobre os efeitos das pressões externas nos ecossistemas locais. 

Segundo os pesquisadores, o projeto financiado por meio da parceria HP–CI, atua nessas frentes ao longo de cinco anos. Os inventários realizados no território combinam armadilhas fotográficas para registro de mamíferos, amostragem de insetos aquáticos e de plantas aquáticas, coleta de peixes, répteis e anfíbios, redes de observação de aves e parcelas de vegetação, além da aplicação do monitoramento da qualidade da água. Esses procedimentos seguem padrões nacionais e internacionais de monitoramento ambiental e fornecem, pela primeira vez, uma linha de base detalhada da biodiversidade do Panará, permitindo avaliar tendências e mudanças ao longo do tempo.

O projeto prevê, até 2028, o monitoramento contínuo dos 500 mil hectares da Terra Indígena Panará, a consolidação da infraestrutura de vigilância territorial, a instalação e a operação de equipamentos de coleta de dados ambientais, a análise da saúde das águas, o fortalecimento da governança comunitária e a articulação regional para a defesa de direitos e a proteção ambiental. As ações são realizadas em diálogo constante com os protocolos de consulta Panará e respeitam o processo coletivo de tomada de decisão da comunidade.

Conheça mais em:

https://ufpa.br/pesquisadores-da-ufpa-participam-de-projeto-que-visa-monitoramento-participativo-no-territorio-indigena-panara/ 

https://storymaps.arcgis.com/collections/be7c7e6cf5ca40708f85ecd150e87320

Texto: Divulgação Ciência e Vozes da Amazônia

Fotos e vídeo: Natália Almeida