
Encontro Conexões Amazônicas, durante elaboração da Carta de Belém, entregue na COP 30
Ciência e tecnologia funcionam como peças centrais no trabalho de mapeamento, catalogação e monitoramento da biodiversidade amazônica. Por outro lado, é vital ter em campo serviços públicos que atuem na área da fiscalização e enfrentamento a crimes ambientais. Agora, se somarmos esses esforços, que resultados teremos?
Aliar essas duas frentes de atuação pode ser uma alternativa para o problema da degradação florestal que se acentua dia após dia na região, especialmente quando o mundo se aproxima de mais uma Conferência das Partes sobre Clima, a COP 31, em Antália, na Turquia, em novembro de 2026, e ao mesmo tempo, se despede da COP 30, realizada em Belém do Pará, em 2025.
É diante deste cenário que representantes de redes de pesquisa vinculadas à Universidade Federal do Pará (UFPA) reuniram-se nesta quarta-feira, 9 de setembro de 2026, com o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis no Pará (Ibama/PA), Alex Lacerda de Souza. O encontro apresentou iniciativas científicas desenvolvidas na Amazônia e identificou oportunidades de cooperação em pesquisa, capacitação, monitoramento e produção de informações para a gestão ambiental.
Durante a reunião, foram apresentadas as ações do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sínteses da Biodiversidade Amazônica (INCT SinBiAm), do Centro Integrado da Sociobiodiversidade da Amazônia (CISAM), do Centro Avançado de Pesquisa-Ação da Conservação e Recuperação Ecossistêmica da Amazônia (CAPACREAM) e da Rede Amazônia Oriental (Rede AmOr), que integra o Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Amazônia Oriental (PPBio-AmOr), o Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração da Amazônia Oriental (PELD-AmOr), o FlorAmOr e o BIFAmOr.

Nívia Glaucia Pinto Pereira (PPGECO/UFPA), superintendente do Ibama, Alex Lacerda de Souza, e Leandro Juen (INCT SinBiAm/ Cisam), durante encontro na Superintendência do Ibama, em Belém.
As redes reúnem pesquisadores, estudantes, gestores e instituições de diferentes estados. São desenvolvidos estudos sobre biodiversidade terrestre e aquática, mudanças ambientais, monitoramento de longo prazo, conservação, recuperação de ecossistemas e formação de profissionais. A atuação conjunta permite ampliar a cobertura das pesquisas e transformar resultados científicos em informações aplicáveis à gestão ambiental.
“Nossas pesquisas buscam avançar no conhecimento sobre a biodiversidade, mas também contribuir diretamente com as instituições que atuam na Amazônia. Queremos ajudar a responder demandas concretas, solucionar problemas e produzir informações que apoiem a gestão e a conservação da biodiversidade”, afirma Leandro Juen, coordenador do INCT SinBiAm e do Cisam.
O encontro também abordou a possibilidade de integrar o Ibama às atividades de pesquisa, monitoramento, capacitação e divulgação científica promovidas pelas redes. Entre as oportunidades discutidas estão o intercâmbio de informações, o apoio a ações de campo e a construção conjunta de projetos voltados a demandas ambientais do Pará e da Amazônia.
Outro tema apresentado foi a possível colaboração com o Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFPA (PPGECO). A aproximação poderá contribuir para a formação de estudantes, o desenvolvimento de pesquisas aplicadas e a oferta de atividades de capacitação relacionadas às necessidades dos órgãos ambientais.
“A cooperação entre universidades, redes de pesquisa e órgãos ambientais pode ampliar a capacidade de resposta aos desafios enfrentados na região. Somar esforços é fundamental para que o conhecimento disponível seja utilizado em benefício da Amazônia e de sua biodiversidade”, destacou Nívia Glaucia Pinto Pereira, pesquisadora das redes e uma das autoras do Guia de Espécies Exóticas Invasoras da Amazônia Legal e doutoranda no PPGECO.
Publicações apoiam atividades de campo, educação e gestão ambiental

Seminário Saberes e Conservação de Territórios Indígenas, em junho de 2026, na UFPA, em Belém, reuniu pesquisadores do povo Panará e cientistas de várias redes de pesquisa
Os pesquisadores entregaram ao Ibama exemplares de três publicações produzidas com a participação das redes. Os materiais poderão ser consultados pelas equipes do órgão em atividades técnicas, educativas e de campo. O livro Ygara apresenta a biodiversidade e os ambientes amazônicos por meio de uma narrativa ilustrada e acessível a diferentes faixas etárias. A publicação aproxima o conhecimento científico do público e pode ser utilizada em ações de educação ambiental e divulgação científica.
O Guia de Espécies Exóticas Invasoras da Amazônia Legal reúne informações sobre 141 espécies, sendo 82 animais e 59 plantas. A obra apresenta fotografias, mapas de ocorrência, formas de introdução, ambientes ocupados, impactos e características que auxiliam na identificação. O material foi elaborado para apoiar órgãos ambientais, gestores, pesquisadores, professores, estudantes e equipes que atuam em campo.
A publicação Pesquisar para preservar a biodiversidade da fauna e da flora brasileira apresenta pesquisas sobre a diversidade biológica do país e destaca a contribuição da ciência para o conhecimento, o monitoramento e a conservação de espécies e ecossistemas. O livro também aproxima a produção acadêmica de estudantes, educadores, gestores e outros públicos interessados na biodiversidade brasileira.
O superintendente do Ibama, Alex Lacerda de Souza, destacou a utilidade dos materiais e a perspectiva de cooperação entre o Ibama e as redes. “Recebemos com satisfação os materiais apresentados, reconhecendo o potencial para parcerias estratégicas. A experiência do Ibama demonstra que projetos integrados são o caminho mais eficaz para a conservação da biodiversidade, como comprovam o Programa de Conservação do Peixe-Boi, o projeto de recuperação de áreas degradadas em Paragominas e os seminários sobre a espécie exótica invasora mexilhão-dourado. A integração com redes de pesquisa é essencial para ampliar o impacto de nossas ações e garantir a proteção da biodiversidade amazônica”, afirmou.
A reunião estabeleceu um primeiro diálogo para identificar demandas comuns e possibilidades de atuação conjunta. Os participantes deverão manter o contato para avaliar ações que integrem conhecimento científico, formação de pessoas e experiência institucional em iniciativas voltadas à conservação e à gestão ambiental na Amazônia.
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