Em estande inédito na Zona Azul de uma COP, UFPA destaca protagonismo amazônico nos debates sobre o Clima

A Universidade Federal do Pará (UFPA) é um território da COP30, ocupando todos os seus espaços. Além de intensa programação dentro de seu Campus, em Belém, a instituição abriu, nesta segunda-feira (10), sua programação nas Zonas Verde e Azul, no Parque da Cidade, na capital paraense, onde acontece o evento. 

Na chamada Blue Zone (Zona Azul) a universidade conta com um estande próprio e inédito em uma Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). A cerimônia de abertura contou com autoridades, pesquisadores e cientistas do Brasil e de outros países.

Presente no primeiro dia, o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, celebrou a abertura do estande como um grande feito para a ciência na Amazônia. “É com muita satisfação que vemos a universidade na zona azul da COP. Esse é um momento histórico que marca uma trajetória de luta pela participação da nossa instituição nesta conferência, um movimento que começamos lá atrás mobilizando a nossa comunidade científica e todas as vozes da nossa sociedade como os povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Estamos aqui para reafirmar que na Amazônia se faz ciência com qualidade”, relembra.

Para o gestor, dispor deste espaço reforça o protagonismo amazônico nos debates sobre as mudanças climáticas. “Precisamos falar da Amazônia e ter nossa mensagem difundida para o mundo porque nós vivemos aqui e ninguém melhor do que nós mesmos para retratar os problemas que enfrentamos”, acentuou.

Na programação do estande da UFPA, o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, participou do painel sobre a importância da inteligência artificial no enfrentamento às mudanças climáticas e destacou que “a universidade está de parabéns pela iniciativa de dar visibilidade ao conhecimento científico e também aos saberes ancestrais amazônicos, e a COP 30 é exatamente esse espaço onde isso precisa ser divulgado”, afirmou. 

Segundo o ministro, a sua pasta, por natureza, tem forte preocupação com o desenvolvimento tecnológico do Brasil, o que se estende para a área da inteligência artificial. “Nosso ministério está muito preocupado com o futuro das tecnologias, focando na ampliação da fibra ótica, melhorando e ampliando as transmissões via satélite, pois temos muitas regiões remotas e sem infraestrutura e nós defendemos que precisamos rapidamente conectar o Brasil”, ressalta. Segundo ele, “para que a gente tenha uma inteligência artificial produtiva e eficiente, precisamos de infraestrutura tecnológica, com modelagem de dados e também a transmissão desses dados”, concluiu.  

Também presente no estande, a professora Emérita da UFPA, Zélia Amador de Deus, demonstrou-se feliz e honrada em participar de uma ocasião ímpar para toda a comunidade científica da região. “Estou orgulhosa do que estou testemunhando, principalmente por fazer parte desse encontro que coloca em relevo nosso protagonismo”, salientou. 

Para a professora Loiane Prado Verbicaro, vice-reitora da universidade, “fazendo parte dessa Conferência, a UFPA está se consolidando como um dos principais pólos de produção científica, de diálogo intercultural e de proposição de soluções para o futuro da Amazônia”, afirma.

Programação

No espaço da Blue Zone, a UFPA promove debates que reúnem pesquisadores, estudantes, comunidades e parceiros estratégicos para ampliar a voz da Amazônia no cenário internacional. 

As atividades incluem painéis temáticos, apresentações e rodas de conversa que integram as ações do movimento Ciência e Vozes da Amazônia na COP30, iniciativa que ao longo do ano promoveu mobilizações e diálogos entre ciência, comunidades locais e tomadores de decisão, ampliando a voz da Amazônia no centro das negociações climáticas.

Nesta segunda-feira, o primeiro painel teve como tema a “Ciência para Resiliência Climática na Amazônia”, com participação do reitor Gilmar Pereira da Silva, e painelistas professores da UFPA: ⁠Izabela Jatene e ⁠Leandro Juen e moderação de Flávio Bezerra Ramos.

O segundo painel tratou da “IA & Sensoriamento para monitorar riscos climáticos urbanos”, com moderação de Julia Cohen (UFPA), e teve como painelistas: ministro Frederico de Siqueira Filho (Ministério das Telecomunicações), Carlos Baigorri, presidente da Anatel, ⁠professor Antônio Jorge Gomes Abelém (UFPA), 

O terceiro painel teve como tema “Belém e o burburinho da COP30: transformações urbanas e possibilidade de ampliação da participação social na agenda climática”, com moderação da vice-reitora, Loiane Verbicaro (UFPA), e como painelistas: Ana Claudia Cardoso (UFPA); Dan Rodrigues Levy (UNIFESP); Olga Lúcia Castreghini de Freitas (UFPA). 

E o último painel do dia foi sovre “Gênero, Ciência e Justiça Climática na Amazônia”, com moderação de Izabela Jatene (UFPA), e como painelistas: a professora Loiane Verbicaro, vice-reitora da UFPA; além da professora ⁠emérita Zélia Amador (UFPA), ⁠Jeniffer de Barros Rodrigues, da Defensoria Pública do Estado do Pará – Associação das Mulheres Defensoras Públicas do Brasil.

A programação da UFPA na COP 30 ocorre simultaneamente no campus Guamá, com a Cúpula dos Povos, Caravana Iaraçu, Bienal das Amazônias sobre as águas na orla da universidade – além do Convento dos Mercedários, na Cidade Velha, com mostras, exposições e atividades culturais, e também nas Zonas Verde e Azul da COP. 

O objetivo é que as atividades permitam que diferentes saberes científicos, tradicionais e populares, sejam apresentados e ouvidos.

Imagens: Peter Neylon / MCom e Divulgação do Movimento Ciência e Vozes