Enfrentamento ao Feminicídio em pauta na UFPA: oficina discutiu sobre a complexidade e a importância do debate sobre o tema

Na sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, a Universidade Federal do Pará, por meio da Superintendência de Políticas Afirmativas e Diversidade (DIVERSE), promoveu uma oficina formativa, alinhada ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, coordenado pelo Ministério das Mulheres.

A abertura contou com a presença da pró-reitora de Ensino de Graduação, Maria Lucilena Gonzaga, representando a reitoria da UFPA. “Esta é uma instituição que se propõe a ser cultural, plural e democrática, comprometida com o respeito à equidade de gênero”, destacou a pró-reitora.

Lucilena lembrou que este é um tema urgente, que exige compreensão histórica e social. “Embora haja maior visibilidade e registro dos casos, os índices continuam alarmantes. Por isso, precisamos fortalecer as políticas públicas, e a universidade tem um papel fundamental nesse processo, por meio de projetos, oficinas e diferentes formas de enfrentamento à violência de gênero”, pontua Gonzaga.

O encontro foi realizado no auditório H2, no Setor Básico, Campus I, Guamá, aberto à comunidade interna e externa e com transmissão on-line pelo canal do YouTube da UFPA. “Essa é uma atividade importante da universidade e demonstra o empenho da instituição com uma causa que é comum à toda a sociedade”, enfatizou a professora Milene Lauande (DIVERSE/UFPA). Segundo ela, a iniciativa faz parte do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, lançado em fevereiro de 2026, que se destaca como ação interinstitucional e reúne os Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) no sentido de combater a violência de gênero. 

A oficina foi ministrada pela assistente social Terlúcia Maria da Silva, diretora de Proteção de Direitos, do Ministério das Mulheres. Segundo a gestora, o enfrentamento à violência contra as mulheres é um desafio complexo. “As políticas públicas começam, muitas vezes, no município, onde a mulher busca atendimento, acolhimento e proteção antes que a violência chegue ao extremo do feminicídio”, alertou. 

“Fico muito feliz de estar aqui. O Ministério das Mulheres está totalmente disponível para construir projetos coletivos com a universidade. Trabalhamos de forma articulada, buscando descentralizar ações, ouvir os territórios e fortalecer parcerias. Podemos dialogar sobre propostas concretas, construir estratégias conjuntas e buscar caminhos viáveis para implementação”, afirmou Terlúcia.

Ações da UFPA – Também presente no encontro, a presidente da Comissão Permanente de Processos Administrativos disciplinares da UFPA, Daniele Dorotéia, frisou ações importantes da universidade, como o recebimento e apuração de denúncias e apoio institucional às mulheres. 

“Dentro dessa política institucional e desse movimento mais amplo, a universidade se compromete com os processos formativos, mas também com ações concretas de combate à violência. Isso inclui a abertura de processos administrativos para apuração de casos, buscando compreender quais são as principais dificuldades enfrentadas e como podemos agir de forma mais eficaz”, esclarece. Segundo ela, o trabalho é fundamental para a reflexão sobre quais ações precisam ser fortalecidas, ampliadas e debatidas. “Mais do que discutir, é necessário transformar o debate em ações concretas, garantindo o respeito aos direitos das mulheres não apenas dentro da universidade. Como somos uma instituição formadora, nosso papel também é influenciar e contribuir com toda a sociedade paraense, levando essa responsabilidade para além dos muros da instituição”, assegura.

A presidente da Comissão Permanente de Processos Administrativos Disciplinares salienta que a universidade conta ainda com programas relevantes, como o “UFPA Território de Acolhimento e Integração” e também o “Programa Respeito”, vinculado à Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoal (Progep), com ações desenvolvidas por diferentes institutos, além da própria Superintendência de Políticas Afirmativas e Diversidade (DIVERSE), que promove esse encontro hoje.

“Essas iniciativas buscam acolher e orientar. Não se trata apenas de uma escuta especializada, mas de saber como encaminhar corretamente cada situação. É essencial orientar as mulheres sobre seus direitos, indicar os caminhos institucionais e externos adequados e garantir que elas se sintam fortalecidas para seguir na busca por justiça”, destaca Dorotéia.

“O objetivo é que elas não se sintam diminuídas diante das opressões, mas fortalecidas para o enfrentamento necessário e que outras meninas e mulheres não venham a passar pelas mesmas situações”, concluiu.

Texto: Ana Teresa Brasil – Movimento Ciência e Vozes da Amazônia (UFPA)

Fotos e vídeo: Natália Almeida