A Universidade Federal do Pará realizou, na terça-feira, dia 18 de novembro, no auditório do Programa de Pós-Graduação do ITEC – PPGITEC – UFPA, dois painéis dedicados à pesquisa colaborativa em sociobiodiversidade e às oportunidades de inovação em bioeconomia.
O primeiro painel, “Pesquisa de Sociobiodiversidade em Rede”, contou com pesquisadores das universidades federais do Pará (UFPA), de Minas Gerais (UFMG) e do Mato Grosso (UFMT) para discutir o avanço e o papel estratégico das redes científicas na Amazônia, com destaque para o fortalecimento da produção de conhecimento e da formação de especialistas, principalmente das comunidades tradicionais e dos povos originários.
O professor Domingos Rodrigues (UFMT) apresentou o policy brief “Unidades de Conservação na Amazônia Legal: Vulnerabilidades e Oportunidades de Ação”, que apresenta um diagnóstico atualizado do sistema de áreas protegidas da região. Segundo o estudo, grande parte das Unidades de Conservação sofre com gestão limitada, reduzido efetivo de pessoal e infraestrutura insuficiente para a fiscalização e a atração de pesquisadores. Um dos resultados centrais indica que mais da metade das Unidades de Conservação (UCs) estaduais ainda não possui um plano de manejo plenamente implementado, o que compromete as ações estratégicas de governança voltadas à conservação.
O documento também evidencia a expansão de atividades ilegais, como grilagem, garimpo e desmatamento, associadas ao narcotráfico, mesmo em áreas legalmente protegidas, especialmente em regiões próximas a estradas formais e informais e nos grandes rios que também são vias importantes de acesso. Além disso, o relatório aponta que pressões políticas recentes fragilizam a criação de novas UCs e afetam a continuidade das políticas públicas de combate ao desmatamento.
Em seguida, Geraldo W. Fernandes (UFMG) apresentou uma síntese sobre sociobiodiversidade e mudanças climáticas, afirmando que “as Unidades de Conservação são importantes para a proteção da floresta e funcionam; onde há mais proteção, há menos desmatamento. O desafio é garantir uma gestão eficaz, formação de pessoal qualificado e políticas de longo prazo”.

Fortalecimento da ciência – Os pesquisadores da UFPA destacaram o potencial das pós-graduações e das redes para ampliar a formação e a interiorização da ciência. “As redes ampliam nossa capacidade de formar especialistas e integrar estudantes em projetos estruturantes para a Amazônia”, pontuou o professor Luciano Montag (LABECO-UFPA).
Thaísa Michelan (PPBIO-AMOR/UFPA) reforçou que “a pós-graduação conecta ciência, políticas públicas e inovação, e as redes permitem que essa formação chegue onde antes não chegava”. Já a pesquisadora Karina Dias (UFPA/Altamira) lembrou que “as redes são essenciais para quem está longe dos grandes centros, pois viabilizam acesso a dados, apoio técnico e oportunidades de capacitação”.
Para a professora Maria Ataíde Malcher (UFPA), “ciência que não chega às pessoas perde força e capacidade de transformação”, acentuou. Finalizando o painel, o professor Leandro Juen afirmou que “para fazermos diferença na Amazônia, precisamos de todos: universidades, comunidades, setor privado e gestores públicos”, salientou o docente.

A importância de Parcerias na ciência
O segundo painel do evento discutiu inovação, bioeconomia e circularidade na indústria com a participação da equipe da Cervejaria Paraense (CERPA), sob mediação de Hervé Rogez (UFPA), que destacou que “a bioeconomia só se consolida quando pesquisa, setor produtivo e território dialogam de forma permanente”, afirmou o professor.
A coordenadora de Meio Ambiente da empresa, Karina Pantoja, apresentou iniciativas de sustentabilidade e de apoio social, afirmando que “os programas buscam reduzir impactos, ampliar o uso eficiente de recursos e garantir transparência em toda a cadeia produtiva”, enfatizou.
O CEO Jorge Kowalski ressaltou que a empresa tem buscado processos produtivos alinhados à transição energética e ambiental, enfatizando a importância da parceria com a UFPA para os avanços tecnológicos e operacionais. O Professor Hervé Rogez apresentou brevemente o funcionamento e experiência da Unidade EMBRAPII da UFPA.




Publicação
Durante o evento, também foi apresentada a edição especial da revista Diversus, que reúne experiências, resultados e impactos das redes do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio). A publicação apresenta, de forma integrada, os núcleos nacionais, incluindo o PPBio Amazônia Oriental (PPBio-AmOr), sediado na UFPA, que coordena inventários biológicos, monitoramento de longo prazo, formação de estudantes e ações de coprodução de conhecimento com comunidades locais em múltiplas regiões do Pará.
Segundo os pesquisadores, o PPBio-AmOr destaca-se pela atuação contínua em campo, pelo fortalecimento de laboratórios regionais e pela produção de dados essenciais para políticas públicas e estratégias de conservação na Amazônia. Além disso, tanto as redes de pesquisa quanto as parcerias com o setor produtivo têm ampliado a capacidade científica da região, enfrentando desafios históricos como logística, infraestrutura e financiamento.

Para acessar a revista Diversus, clique aqui: Revista Diversus – Biodiversidade em pauta
Para acessar o policy Brief, clique aqui: desafios e soluções para Unidades de Conservação na Amazônia Legal
Texto: Divulgação Ciência e Vozes da Amazônia
Fotos e vídeo: Natália Almeida